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Cativa-se



"Cativar signfica criar laços. Significa possuir e pertencer. Ter sua existência extendida do próprio corpo para o cosmo. Se tornar maior que o próprio infinito. Isto definido, faço um apelo: Caroline. Dezoito anos. Cativa-se."


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Canastra: Ler devia ser proibido 

Por Guiomar de Grammon


A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. 

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido. 

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. 

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. 

Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. 

Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.



Canastra: 100 livros para ler antes de morrer 

canastra:

1. Ilíada, Homero.

2. Odisséia, Homero

3. Hamlet, William Shakespeare

4. Dom Quixote, Miguel de Cervantes

5. A Divina Comédia, Dante Alighieri

6. Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust

7. Ulysses, James Joyce

8. Guerra e Paz, Leon Tolstoi

9. Crime e Castigo, Dostoiévski

10. Ensaios, Michel de Montaigne

11. Édipo Rei, Sófocles

12. Otelo, William Shakespeare

13. Madame Bovary, Gustave Flaubert

14. Fausto, Goethe

15. O Processo, Franz Kafka

16. Doutor Fausto, Thomas Mann

17. As Flores do Mal, Charles Baldelaire

18. Som e a Fúria, William Faulkner

19. A Terra Desolada, T.S. Eliot

20. Teogonia, Hesíodo

21. As Metamorfoses, Ovídio

22. O Vermelho e o Negro, Stendhal

23. O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

24. Uma Estação No Inferno,Arthur Rimbaud

25. Os Miseráveis, Victor Hugo

26. O Estrangeiro, Albert Camus

27. Medéia, Eurípedes

28. A Eneida, Virgilio

29. Noite de Reis, William Shakespeare

30. Adeus às Armas, Ernest Hemingway

31. Coração das Trevas, Joseph Conrad

32. Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley

33. Mrs. Dalloway, Virgínia Woolf

34. Moby Dick, Herman Melville

35. Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe

36. A Comédia Humana, Balzac

37. Grandes Esperanças, Charles Dickens

38. O Homem sem Qualidades, Robert Musil

39. As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift

40. Finnegans Wake, James Joyce

41. Os Lusíadas, Luís de Camões

42. Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas 

43. Retrato de uma Senhora, Henry James

44. Decameron, Boccaccio

45. Esperando Godot, Samuel Beckett

46. 1984, George Orwell

47. Galileu Galilei, Bertold Brecht

48. Os Cantos de Maldoror, Lautréamont

49. A Tarde de um Fauno, Mallarmé

50. Lolita, Vladimir Nabokov

51. Tartufo, Molière

52. As Três Irmãs, Anton Tchekov

53. O Livro das Mil e uma Noites

54. Don Juan, Tirso de Molina

55. Mensagem, Fernando Pessoa

56. Paraíso Perdido, John Milton

57. Robinson Crusoé, Daniel Defoe

58. Os Moedeiros Falsos, André Gide

59. Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis

60. Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

61. Seis Personagens em Busca de um Autor, Luigi Pirandello

62. Alice no País das Maravilhas, Lewis Caroll

63. A Náusea, Jean-Paul Sartre

64. A Consciência de Zeno, Italo Svevo

65. A Longa Jornada Adentro, Eugene O’Neill

66. A Condição Humana, André Malraux

67. Os Cantos, Ezra Pound

68. Canções da Inocência/ Canções do Exílio, William Blake

69. Um Bonde Chamado Desejo, Teneessee Williams

70. Ficções, Jorge Luis Borges

71. O Rinoceronte, Eugène Ionesco

72. A Morte de Virgilio, Herman Broch

73. As Folhas da Relva, Walt Whitman

74. Deserto dos Tártaros, Dino Buzzati

75. Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez

76. Viagem ao Fim da Noite, Louis-Ferdinand Céline

77. A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queirós

78. Jogo da Amarelinha, Julio Cortazar

79. As Vinhas da Ira, John Steinbeck

80. Memórias de Adriano, Marguerite Yourcenar

81. O Apanhador no Campo de Centeio, J.D. Salinger 

82. Huckleberry Finn, Mark Twain

83. Contos de Hans Christian Andersen

84. O Leopardo, Tomaso di Lampedusa

85. Vida e Opiniões do Cavaleiro Tristram Shandy, Laurence Sterne

86. Passagem para a Índia, E.M. Forster

87. Orgulho e Preconceito, Jane Austen

88. Trópico de Câncer, Henry Miller

89. Pais e Filhos, Ivan Turgueniev

90. O Náufrago, Thomas Bernhard

91. A Epopéia de Gilgamesh

92. O Mahabharata

93. As Cidades Invisíveis, Italo Calvino

94. On the Road, Jack Kerouac

95. O Lobo da Estepe, Hermann Hesse

96. Complexo de Portnoy, Philip Roth

97. Reparação, Ian MacEwan

98. Desonra, J.M. Coetzee

99. As Irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki

100. Pedro Páramo, Juan Rulfo





  • Evan Greer: Só queria fazer algo que importasse.
  • House: Nada importa. Nós somos apenas baratas. Vivemos e morremos sem saber porquê. Nada do que fazemos tem o menor significado.
  • Evan Greer: E você acha que eu é que sou infeliz?
  • House: Se você não está feliz no avião, pule.
  • Evan Greer: Eu quero, mas não posso.
  • House: Esse é o problema das metáforas... Elas precisam de interpretação. Pular do avião é idiotice.
  • Evan Greer: Mas e se eu não estiver no avião, e sim em um lugar que eu não quero estar?
  • House: Esse é outro problema das metáforas. Sim, e se você na verdade estiver em um caminhão de sorvete e do lado de fora houver doces, flores e virgens? Você está em um avião! Todos estamos em aviões. A vida é perigosa, complicada e a queda é grande.
  • Evan Greer: Então você tem medo de mudar?
  • House: Você é que tem medo de mudar. Prefere imaginar como seria escapar ao invés de tentar de fato. Pois, se falhar, não terá nada. Então desiste de algo real e se agarra à esperança. O problema é que esperança é para covardes.
  • Evan Greer: Quando eu sair daqui, não terei mais medo. Quantas pessoas tem uma segunda chance?
  • House: Pessoas demais.



iemai:

O Telescópio Espacial Hubble obteve imagens sem precedentes da galáxia mais brilhante descoberta até agora, graças a um fenômeno de lente gravitacional. A lente gravitacional ocorre quando a gravidade de um objeto gigantesco causa uma distorção no espaço-tempo.

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O Telescópio Espacial Hubble obteve imagens sem precedentes da galáxia mais brilhante descoberta até agora, graças a um fenômeno de lente gravitacional. A lente gravitacional ocorre quando a gravidade de um objeto gigantesco causa uma distorção no espaço-tempo.